quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Escalas de valores


Na linguagem da Cor existem muitos termos que refletem suas diferentes  características.

Parâmetros Básicos da Cor


Matiz - Na concepção gramatical é substantivo masculino que significa gradação de uma cor ou cores, nuance.
Entretanto na Colorimetria matiz é uma das três propriedades da cor que nos permite classificar e distinguir uma cor de outra através de termos como vermelho, verde, azul, etc.
As outras duas são  a saturação (pureza) ou Croma e  a luminosidade (brilho) ou Valor.


Uma Escala de Valores se refere à imagens  desprovidas de cores (incolores).



Na Escala de Tons as imagens são cromáticas ou coloridas.









Nesta aula do professor Wagner J.C. Lima foi proposto um exercício prático com guache em papel: A construção de uma Escala de Valores partindo do branco até o preto.




Escala de Valores manual  com as tintas guache branca e preta da marca Sakura  - Poster Color.





Leitura de Imagem - Paradigmas

Em construção...

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Linha do Tempo - Timeline


É oficial. Estou perdida no tempo!
Não registrei datas e fui escrevendo sobre os assuntos em tempo aleatório, então a linha de tempo do próprio blog não é confiável.
Faltou uma conexão com a organização das apresentações.
Pesquisando um pouquinho percebi que linha do tempo horizontal, neste formato que utilizo agora é impossível.
Talvez num caderno sanfonado ou de estrutura tradicional. Registro material.
Aqui caberia uma página com infográfico vertical. Enfocando os assuntos.
Se eu conseguir lembrar a ordem em que foram debatidos....ou pelo menos estruturá-los com lógica.
Existem vários sites que oferecem alguns modelos gratuitamente, conforme citado anteriormente ( Plataformas Digitais), inclusive esbarrei no Visme que  apresenta inúmeras opções.
Onde estavam estas facilidades 20 ou 30 anos atrás quando tínhamos que apresentar projetos científicos?
Hoje é tudo fácil demais. E impessoal! Ou melhor padronizado. As plataformas oferecem maneiras de personalizar, mas seguem a mesma linha  de apresentação.
Creio que não terei tempo de  fazer uma linha do tempo na acepção formal da palavra, mas posso recorrer a conhecida teia de links onde um assunto leva a outro.
Exige uma revisão de todas as páginas, mas é possível.
Interativo e prático para quem consulta.
De qualquer forma nas página apresentadas logo abaixo do cabeçalho é possível  encontrar algo semelhante a  um índice ou uma linha de tempo.



Exemplo de Infográfico - Pintura 2020



domingo, 23 de agosto de 2020

Raízes



Releitura de desenhos a nanquim, século XIX

Dois terços vividos  fazem com que lembranças preencham grande parte do copo. Talvez mais que a metade. E fatos novos evocam antigos.
Ouvi muito sobre arte indígena e negra na Unespar.  Sobre a necessidade de fortalecer as lembranças da nossa ancestralidade e senti uma certa discriminação através do repúdio às outras, de origem europeia ou oriental.
Voltando o olhar para a história do Paraná, e de Curitiba, obviamente devemos considerar a contribuição indígena e negra, porém imigrantes de outras coletividades tiveram uma generosa participação em nossa história. Mesmo que alguns insistam numa teoria de "branqueamento". Até parece que  brancura é sinônimo de perversidade...


Imigrantes italianos- Angiolo Tommazi, 1896

Fiquei a lembrar da infância. Do lado paterno tenho um pezinho na oca e na senzala. Do lado materno tenho um pezinho nos alpes austríacos e italianos.
Esta imagem dos pezinhos dançantes certamente arrepiará os radicais do "politicamente correto", porém eu sou antiga, e este era um jeito fofo de falar. Hoje totalmente condenado.


Mosaico della Villa Adriana - Tivoli (II sec.)

Descendo de camponeses, criadores de cabras e cavalos, um pessoal íntimo da natureza e da terra. Do lado paterno idem, creio, embora durante a infância adorasse imaginar histórias sobre princesas beduínas ou japonesas, a minha imagem e semelhança.
Cresci ouvindo belas canções italianas na vitrola do nono, das quais não me lembro, porém quando ouço Buon Giorno Italia, Buon Giorno Maria mergulho de cabeça na nostalgia...ou seria banzo?

Plataformas Digitais



Professor Flavio Lima disponibilizou links de plataformas digitais que possivelmente terão utilidade para a realização do Caderno de Notas virtual e para a elaboração de Portfólios.
Existe a possibilidade de estruturar um Caderno de Notas, de aluno artista, em relação ao cotidiano de eventos doa Google Class durante a pandemia Covid19.

TUMBIR

Nem entrei, pois meu antivírus sinalizou como página a ser bloqueada e parece uma rede social/blog. No momento estou deletando redes sociais. Um tempo que não tenho.

"Tumblr é uma plataforma de blogs popular no mundo inteiro que funciona como espaço para que blogueiros compartilhem vídeos, imagens, músicas, textos e muitos gifs — com uma pegada de rede social, claro, incluindo até mesmo as famosas curtidas do Facebook. 
Na plataforma, cada usuário tem sua própria página/blog, que tem design personalizável com diferentes templates que permite editar o HTML, criando sites únicos".

 FLICKR

É uma boa plataforma para imagens. Antiga, e criteriosa no compartilhamento.

"O Flickr é um site da web de hospedagem e partilha de imagens como fotografias, desenhos e ilustrações, além de permitir novas maneiras de organizar as fotos e vídeos."

CARGO SITE

Oferece modelos (templates) para criar sites de diversos formatos e tamanhos. Serve para música, design gráfico, arquitetura, artes plásticas...e apresenta uma  coleção interessante de imagens de arte, estilo, arquitetura, fotografia e design de estilo .

CANVAS

Este aplicativo (Google) é ferramenta de design que oferece modelos  para templates, convites, cartões, cartazes, logotipos, panfletos, currículos, infográficos. Permite edição de fotos. Algumas atividades são gratuitas outras com preços diferentes em assinatura anual ou mensal.
Visitei rapidamente e conheci  Moodboard ou painel semântico.Interessante.

"Um moodboard é uma colagem de imagens, elementos gráficos e outros materiais, muito usada nos diversos campos do design. Essa ferramenta serve para guiar profissionais a criarem peças unificadas ou sob determinado tema, bem como para apresentar um conceito para colegas de equipe ou clientes. 
Nas versões físicas, pode conter amostras de tintas, tecidos e texturas. Já no digital, você pode encontrar uma variedade enorme de componentes em um painel semântico, como imagens, fontes, cores e muito mais".

SIFTR

"Siftr é um aplicativo que permite criar projetos para qualquer tema, desde biologia e ecologia até fotografia e estudos da linguagem. Os participantes usarão seu projeto para ir a campo e coletar dados. Os usuários podem baixar o aplicativo em seus smartphones ou tablets e sair para o campo.
Siftr cria automaticamente uma página compartilhável com visualização de dados ao vivo. Os dados são baixados  como um arquivo *CSV com o clique de um botão."

* Um arquivo CSV (Valores Separados por Vírgula) é um tipo especial de arquivo que você pode criar ou editar no Excel. Em vez de armazenar informações em colunas, os arquivos CSV armazenam informações separadas por vírgulas.

Parece muito bom para alunos de diversas áreas.

hitRECord

"O HitRecord é uma plataforma de mídia colaborativa on-line fundada, e de propriedade do ator e diretor Joseph Gordon-Levitt. A empresa usa uma variedade de mídias para produzir projetos como curtas-metragens, livros e DVDs. A HitRecord produziu curtas-metragens como Date with Destiny, de Morgan M."

TIME GRAPHICS

"Um serviço online gratuito para a criação de infográficos para linha do tempo. Datas importantes, períodos de tempo, eventos, pessoas."

Uma linha do tempo permite comparar,relacionar e  analisar. Plataforma voltada para a elaboração das atividades através de linha do tempo é muito interessante. Está vinculado a diversos meios para armazenamento e transferência de dados.

AUDACITY TEAM 

"Audacity é um software livre de edição digital de áudio disponível principalmente nas plataformas: Windows, Linux e Mac e ainda em outros Sistemas Operacionais. O código fonte do Audacity está sob a licença GNU General Public License. A sua interface gráfica foi produzida utilizando-se de bibliotecas do wxWidgets"

VIMEO

É uma plataforma de vídeo profissional, internacional, com ferramentas de criação, hospedagem e marketing de vídeo. Permite vídeos com alto desempenho, entrar ao vivo, e compartilhar em qualquer lugar.

BEHANCE

Behance é uma rede de sites e serviços especializada na autopromoção, incluindo consultoria e sites de portfólio online. É de propriedade da Adobe.

WORDPRESS

"WordPress é um sistema livre e aberto de gestão de conteúdo para internet, baseado em PHP com banco de dados MySQL, executado em um servidor interpretador, voltado principalmente para a criação de páginas eletrônicas e blogs online".

BLOGGER

"Blogger, uma palavra criada pela Pyra Labs, é um serviço do Google, que oferece ferramentas para edição e gerenciamento de blogs, de forma semelhantemente ao WordPress, mais indicado para usuários que nunca tenham criado um blog, ou que não tenham muito familiaridade com a tecnologia."

Alguns anos atrás, quase de brincadeira iniciei um blog sobre perfumaria. Considerei duas plataformas. Wordpress e Blogger. Optei pela segunda porque não tinha nenhuma familiaridade com estas ferramentas online para produção de texto e imagem.É extremamente confortável e habituei com um estilo de template e imagem.
Algo que me permitiu transitar pelo tradicional, arrumadinho e retrô.
Agrada-me  o layout da Blogger que proporciona meios de publicação de imagem, escrita e alguma música. Entretanto  talvez deva me aventurar em outros locais para sair da zona de conforto.

sábado, 22 de agosto de 2020

Modelagem 3D



Um dos destaques desta semana foi  a conversa orientada pela artista e Profª Ana Lesnovski sobre modelagem 3D.


Pinceladas, informações, possibilidades e ...dicas de como e onde.


 Listagem com algumas das  dicas de como seguir os passos da modelagem 3D

FAB LAB - Cajuru

- Liceu de Ofícios - Inovação Cidadania Cajuru (Fab Lab)


Mariana Andrello (Mare)

- (@oie.mare) 

Creative Bloq

- Modelling software 

Billie Ruben

- 3d printing e design software

Sculpteo

- Sculpt GL Tutorial  


Moulage - Modelagem 3D para costura

- Renata Perito

 Crypto ID - identidade digital

Assinaturas Digitais


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Elaine Santos



"Descobri, diante de um desafio de voltar às artes/exposição, que o crochê já era a minha linguagem há muito tempo. 
Desde os 12 anos de idade, aprendi com avós, vizinhas e madrinhas a arte de traduzir os fios em pontos e peças. 
Hoje, penso no meu trabalho como um mix de tudo: traços de gravura, combinados aos fios metálicos de cobre e lã, aliados a materiais não convencionais como suporte. 
Tudo isso para provocar o espectador e tirá-lo da zona de conforto ao ver uma obra produzida...quando pergunta: 
- Mas, é crochê?

Sim, é crochê!"


Onde conhecemos os interessantes personagens da arte? Nas vernissages é claro.
E foi numa festa animada  no Chelsea Bar que me vi em séria troca de ideias com Vivien e Elaine,  sobre tons de cinza. Para o cabelo.
Como se fôssemos velhas amigas. Sensação que perdura até hoje.


Elaine é uma personalidade forte, gentil e esfuziante. Moderna pin up.
Características que saltam aos olhos na arte em crochet , que considero envolta em mistérios absolutos.
Familiarizada com fios e agulhas nunca fui amiga deste fazer encantador.
Imagino a perseverança e a dificuldade para tecer estas figuras absolutamente lindas,  que povoam paredes, chão, mobiliário ou que simplesmente transitam pelos ares penduradas por fios invisíveis.


A obra de Elaine Santos desperta  consumismo, a vontade de ter.
Ao visitar  a exposição " Além da Matéria" no Museu Rosa Cruz preenchi o olhar com peças delicadas e exuberantes, como o peixe luminoso tecido em fios de cobre.


- Mas é crochet?
 Sim! É crochet!
Este meu inimigo de infância, com quem nunca entrei em acordo, e que provocou muita admiração através destas peças feitas pela artista  Elaine, que desafia o lugar comum reinventando arte tão antiga com inusitada originalidade.

Vídeo:  Detalhes da Obra

Contato: Infinita Arte - Canais de Contato

Marcus André


Conheci abstratamente durante uma aula, dias atrás, e já me é familiar. Naquele âmbito de admiração, através da obra.
A curiosidade sobre encaústica vem de meses. Como não encontrava referências virtuais que me satisfizessem (não soube procurar), percorri sebos atrás de determinado livro. Caro e inútil. Fiquei a navegar nas mesmas águas.


Entretanto a obra de Marcus André e o pouco que consegui ler me cativaram.
Parco conteúdo artístico ainda não me permite análise ou descrição técnica, mas admite a apreciação pessoal.
Gostei muito.
Da profusão e disposição de formas e cores, preenchendo toda o suporte, assim como nas telas pessoais e intrínsecas, que tem menos espaços vazios a medida que avançamos no tempo.


E as linhas! Fluindo e entrelaçando, linhas de circulação, de seiva, de tempo... caminhos; percorridos e a percorrer.
Não tenho ideia se esta é a motivação ou interpretação do artista, porém foi meu canal de identificação.
Com estes cordões encontrei-me numa pintura, um dos primeiros ensaios abstratos que fiz (Libertas lat) , do final de 2019 para o começo deste ano. E surpreendentemente foi trabalho meu que gostei. Penduro na parede, não dou, não vendo nem troco, porque é realmente uma expressão pessoal.


Marcus André obviamente leva as linhas traçadas a outro nível de complexidade e riqueza artística. em suas obras de encaústica e têmpera.
Um caminho de formas e cores tão atraente...quero ser como ele quando crescer.
Para ilustrar um pouquinho da trajetória deste artista registro um depoimento e dados biográficos:

Depoimento

 
" encáustica é um composto, uma pele pictórica, uma técnica. Ela em si não é muito expressiva. Imagine uma coisa que retém a luz, que não devolve muita luz, ela absorve a cor, e isso me interessou. 
A encáustica come o pigmento, abafa, corta a cor. Pela própria natureza do material, as cores não ficam muito vibrantes, você tem que criar essa vibração. 
Quando você usa óleo, você pega um amarelo, um vermelho, um laranja, e pinta uma superfície, aquilo é muito mais vibrante, é mais presente, tem mais plasticidade, tem mais oferta para o olho. No óleo a cor vem pronta. 


Na encáustica eu arbitro a saturação dela. Mas, apesar da cor, eu não acho que este trabalho seja essencialmente sobre cor, e não tem a pretensão de ser. O que eu acho mais interessante é uma sugestão de uma paisagem que você tem como entrar, e essas intervenções que são pouco evidentes, que você pode voltar atrás nelas, que você pode reconstituir. 
Uns tem mais, outros tem menos, tem uns que não tem quase nada. Mas, o que fica mais evidente pra mim são essas camadas, a têmpera e a encáustica, e nisso a paisagem vai se apresentando, vai criando esse aspecto de paisagem. 
Eu não tenho preocupação nenhuma sobre se ele é abstrato ou figurativo. Isso não é para mim uma questão." 


Biografia
"Marcus André (Rio de Janeiro, 1961) vive e trabalha em Búzios, no Rio de Janeiro. 
Frequentou os cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage entre 1978 e 79 e em 1984 participou da exposição ‘Como Vai Você, Geração 80?’.
Em 1985 cursou a Parson’s New School of Social Research Printing, em Nova York. 
De volta ao Brasil, recebeu o prêmio no XIII Salão Nacional de Artes Plásticas e realizou individuais de pintura na Funarte Projeto Macunaíma/ Espaço Alternativo RJ, Projeto Centro Cultural São Paulo / Pavilhão da Bienal Ibirapuera e MASP SP. 
Representou o Brasil em Bienais no México, Cuba, Equador e Japão. 
Recebeu os prêmios de aquisição em pintura no Museu de Arte de Brasília DF e na Mostra Internacional de Gravura Curitiba PR. 
A partir de 1995 foi contemplado com as bolsas: Primeiro Programa de Bolsas RioArte 1995-96, tendo na comissão os críticos e professores Heloisa Buarque de Holanda e Ronaldo Britto, O Artista Pesquisador MAC Niterói RJ 1998, Bolsa FAPERJ / Fundação de Apoio a Pesquisa 1998 e The Pollock-Krasner Foundation Inc. Grant NY 2007. https://www.marcusandre.com 



Cerceando Liberdades


Existe um cerceamento de liberdade,  na sociedade e academias, que nunca pensei ser possível assim tão próximo e vívido.
Principalmente depois de ter ultrapassado dois terços (2/3) da minha existência.
Natural seria que a cidade tranquila, introspectiva e vitoriana evoluísse para lufadas vigorosas de liberdade, mas não. Caiu num círculo vicioso de ideias, que historicamente não alcançaram seus objetivos, estagnando tudo que seu braço alcança.
Quando professora de ciências acreditava que partir da vivência dos alunos, da sua bagagem cultural e familiar, seria o caminho mais lógico para ensinar  ciência. Para despertar o pensamento científico e ensinar conceitos que nossa racionalidade conseguiu conhecer e decifrar.


Esta postura teve raiz no meu próprio aprendizado com o  saudoso professor Mazzepa, que explicava efeito Tyndall usando a tarefa cotidiana de varrer a casa. Realidade muito conhecida das meninas abastadas que frequentavam o colégio, e aprendiam como comandar todas as tarefas domésticas. Também era realidade para mim, humilde bolsista, que realizava pessoalmente  estas tarefas junto com mãe e avó.
Ele trouxe a ciência para dentro das casas e as casas para a sala de aula. A mutável  e fascinante ciência.
Era um admirável pedagogo.



Vejo no atual ambiente universitário equivocado objetivo na formação de professores, por professores moldados neste equívoco, e que o perpetuarão através dos seus alunos.
Esta prisão mental é um soco no estômago de quem experimentou liberdades.
Tive o privilégio de viver no seio de uma família iletrada, que professava o livre pensar. E que não cultivava rancores ancestrais, inseguranças ou submissões.
Das linhagens materna e paterna  carrego exemplo de mulheres fortes e  de homens aventureiros e liberais.
Havia uma dose de machismo? Evidente. Onde não?
Preconceitos ou bullying social é uma constante, pelo mundo, até onde a vista (histórica) alcança.
Entretanto estas anomalias de comportamento bateram na superfície e resvalaram. Agradeço isto a infância bem vivida que me fez resiliente.
Talvez seja o que motive minha visão singular da educação frente ao lugar comum que está a vicejar.
Enquanto professora de artes e não ciências como veria meu aluno?
Alguém que precisa aprender o encanto da arte. Que necessita da instrumentalidade da experiência estética para cultivar sensibilidade, olhares, gostares.


História da humanidade é outro departamento. Religião e política idem. Assim como ciência tem outro enfoque, embora a mesma atitude.
Para uma aula de artes é necessário despir credos pessoais abrindo o caminho para a percepção fina, do mundo que nos rodeia, em formas, cores, sons, cheiros, texturas e sinergias.
Quando nos apropriamos do conhecimento para moldar o pensar de jovens mentes, a nossa imagem e semelhança, cometemos crime contra a liberdade. Não faz parte da prática magisterial determinar verdades de acordo com óticas particulares. Negamos para a página em branco seus próprios escritos e registramos nossa caligrafia de maneira a preencher todos os cantos. Não deixamos espaços para o germinar da opinião.
É cruel incutir pareceres e vivência, de quem teve (ou não) oportunidades múltiplas para construir seu próprio labirinto mental, nas mentes em formação.
Muitas vezes na tentativa de oferecer o mais adequado oferecemos grilhões. Boas intenções nem sempre denotam boas ações.
E me pergunto...Do que adianta liberdades de ir e vir, de esbravejar, escrever, decidir, escolher e formular ideias se negamos às páginas em branco a oportunidade de escreverem seus próprios pensares?


É necessário um grande coração para formar jovens mentes

Como professora não vejo possibilidade em transformar respeito para com a expressão livre da criança, seu gesto-traço, suas brincadeiras de faz-de-conta, e sua espontaneidade em direcionamentos, de acordo com minhas crenças, sejam quais forem.
 Olho  para a educação do passado, quando podíamos ler ou ouvir  João e Maria,  interpretando o que vinha de acordo com experiências pessoais...olho para a massificação cultural e ideológica hoje imposta e sofro de desalento.
Sinto-me muito próxima da ancestral escrava, da sua escravidão negra. Ou da ancestral europeia que não falava italiano por medo,  porque estava em outro país e o governo poderia não gostar. Da sua escravidão branca.
Ao olhar no espelho vejo com orgulho uma avó Aurentina, nascida e nomeada em homenagem a liberdade.


Ao olhar no entorno vejo almas atormentadas, sofridas,  sufocadas em agonia, rancores, resgates,  preconceitos classistas que se revelam, na sua característica de filme fotográfico, tão intensos quanto os formais que os originaram.
É avassalador.
Tento criar um abismo entre minhas obviedades e toda esta balbúrdia. Sempre que posso.
Omito-me voluntariamente. Sempre que posso, pois é uma realidade  muito opressiva.
Fico com a arte, enquanto ainda posso.
Enquanto ainda me é permitido,  e espero que nossas futuras gerações tenham a mesma oportunidade que eu.


A liberdade é um clamor visceral. Não pode ser moldada. Talvez temporariamente suprimida, mas faz parte da Natureza do homem, e só deixará de existir quando deixarmos de lado nossa humanidade.

Vídeo: The Gypsy Queens - L'Italiano (Toto Cutugno) - lembrou-me as belas canções italianas ouvidas na infância. 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Cubismo e Colagens



Campos de Março- Torre vermelha de Robert Delaunay

CUBISMO

No século XX surgiu o cubismo, estilo de arte onde a representação é feita através de formas geométricas.
Cézanne foi precursor embora o lançamento oficial tenha acontecido em 1907 com “Les Demoiselles d’Avignon” de Pablo Picasso.


Paul Cezanne

Caracterizou-se pela  geometrização das formas e dos volumes, renúncia à perspectiva, sensação de pintura escultórica, representação do volume colorido sobre superfícies planas e cores fechadas.
Dividido em duas fases:  cubismo analítico e cubismo sintético ( de colagens).
O primeiro quebrava a estrutura e a lógica da figura  enquanto o segundo procurava construí-la através de formas geométricas e cores fortes.
Este movimento iniciou no Brasil depois da Semana de Arte Moderna, em 1922,

CUBISMO de COLAGEM

Cubismo de Colagem ou Sintético surgiu por volta de 1910 depois da fase analítica.
Nas obras se viam fragmentos de materiais cortados e colados combinados com desenho/ linhas para criar uma imagem figurativa, sem perder sua identidade original enquanto material da composição.
Procurava-se a criação de um novo conceito de espaço  através das interação entre as camadas coladas.
Formou-se uma nova relação com perspectiva e cor.


Juan Gris - Mulher com a cesta.

Cubistas passaram a recompor a realidade e não a dissolvê-la. Houve um fluxo de libertação na representação das imagens com um objeto não mais imitado, porém representado na sua essência.
Juan Gris, cubista sintético afirmava que Cèzanne transformava uma garrafa num cilindro, mas que ele usava uma ideia para transformar um cilindro numa garrafa especial.
O cubismo foi se modificando em vários afluentes. A liberdade da representação afastou os cubistas da linhas retas rígidas e das  cores esmaecidas. Fortaleceram-se traçados arqueados e a paleta de cores fortes, definidas e puras.


Robert Delaunay

Delaunay e Fernand Léger trataram estas cores de maneira diferente. Leger valorizou volume, a força de cores isoladas, o contraste de cores primárias, enquanto Delaunay trabalhava nuances usando cores complementares, uma ao lado da outra.
Junto a este uso diferenciado das cores aconteceu a colagem - papiers collés, ou provavelmente colagens de pedaços da realidade aplicadas na tela para a tornarem mais consistente e tangível.


Fernand Léger, 1922 - A Mãe e a Criança

Umas das teorias para explicar este uso de colagens é que a introdução destes pequenos pedaços de realidade, ou objetos pintados,  serviam para demonstrar ser a imagem tão verdadeira quanto o próprio objeto.
Este   cubismo faz nascer a noção de quadro-objeto. A tela precisa ter a concretude de um verdadeiro objeto, vivendo com plasticidade definida.
Desta forma se afastou do estilo provocativo do dadaísmo que  rompeu com modelos tradicionais e clássicos de forma mais agressiva, irreverente e desordeira.


Sonia Delaunay

Como diz a professora Rosanny:
- Artistas cubistas inseriram a colagem em suas pesquisas visuais, com resultados estéticos de grande riqueza, evidenciando com a tridimensionalidade na pintura a busca de nova espacialidade .

*Espacialidade: Qualidade do que é espacial. A estruturação espacial é a tomada de consciência do próprio sujeito, da situação de seu corpo com o meio ambiente; do lugar e orientação em relação às pessoas e às coisas e da possibilidade de organizar as coisas entre si, de colocá-las em um lugar e de movimentá-las.Ocupação de um determinado espaço ou uma sensação de ampliação de espaço