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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

História da Arte - Naif Arte


Exotic Landscape, 1910 by Henry Rousseau

Pintores da Renascença estabeleceram três regras definidas de perspectiva:
- Diminuição progressiva dos objetos proporcional a distância.
- Modificação da cor  com a distância ( lembrem Da Vinci...quanto mais longe, mais azul parece).
- Diminuição dos detalhes com a distância.


Kunst Malerei

Arte "Naif", "Naïve" ou Ingênua, algumas vezes  relacionada com primitivismo, desrespeita graciosamente estas definições.
Adota um estilo geométrico cuja perspectiva foge aos padrões; a  liberdade estética, dimensões oníricas e cores ornamentais  aproximam dos conceitos de  desenho infantil ou medieval.


 Catriona Har - Raiding The Rosehips

Simplicidade substituindo a sutileza, liberdade  pictórica  fugindo das convenções acadêmicas, precisão nos detalhes em todos os planos da composição, padrão definido de cores e limites,   a princípio,  caracterizam a Arte Ingenua.


Surprise! by Henri Rousseau

Considerada até o princípio do século XX como expressão  de pintores autodidatas, sem formação acadêmica, hoje é um estilo reconhecido e praticado pela pintura formal.
Artistas profissionais  incorporam aspectos deste estilo e praticam o naivismo. Algumas vezes denominado pseudo naivismo ou arte infantil autoconsciente.



Paul Corfield

As características comuns nas expressões da Naif Art são:- Inexistência de perspectiva ou bidimensionalidade; uso de cores fortes e/ou contrastantes; temas alegres e pueris; espontaneidade; tendência a simetria e representação da natureza.


Paul Gauguin

Exemplos famosos estão nas composições de  Paul Gauguin, Mikhail Larionov, Paul Klee.
Henri Rousseau ( Le Douanier, 1844-1910), pós impressionista francês, funcionário de alfândega, é considerado precursor oficial da arte após seu trabalho ser catalogado por Paul Signac,  e exposto em várias galerias de renome.


Parc des Oiseaux - Alan Thomas

Seguido por Alfred Wallis e nomes expressivos como  Gary Bunt, Lyle Carbajal, Jonathan Kis-Lev, Gabe Langholtz, Gigi Mills, Barbara Olsen, Paine Proffitt, e Alain Thomas, artistas contemporâneos ingleses.


Ronaldo Mendes

Também se destacam na comunidade internacional  Pilar Sala (Argentina, Adrie Martens (Holanda), Nadia Senyczak (Bélgica), Angeles Camacho (Espanha) e Ronaldo Mendes (Brasil).


Museu Internacional de Arte Naif ( MIAN) - Rio de Janeiro, Brasil

Museus especializados em Naivismo proliferam mundo afora. Vemos exemplos em Kecskemét, Hungria; Riga, Letónia; Jaen, Espanha; Rio de Janeiro, Brasil; Vicq, França.


Quixote de Rogério Dias - Brasil

Presenciamos algumas características de Naïve Art  em outros estilos como o Geométrico Abstrato, ou Cubismo evidenciando  que arte contemporânea se renova, conjuga ou  desmembra em muitos caminhos.

Naif Art


Carlos Rivero - Venezuela


Lowell Herrero



Oraphat da Tailândia.


Lilian Suzett


Henri Rousseau - The Repast Of The Lion


domingo, 26 de julho de 2020

História da Arte I - Arte e Não Arte



“A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são.”
Fernando Pessoa

Sou cria da ciência e apesar disto amante da literatura e aprendiz de arte, logo Fernando Pessoa tem para mim um apelo irresistível que inclui a concordância com suas palavras.
Entretanto...não interpreto esta afirmativa como permissividade para qualquer forma de expressão.
Assim como na ciência existe material e método para retratar as coisas como são, na arte há de se ter algum norte ao expressar como sentimos que são.
Podemos expressar beleza e fealdade das nossas almas, corações ou consciência de forma artística ou não.
É possível jogar na face do mundo nossa aceitação, revolta, solidariedade, desprezo, amor ou ódio com arte e sem arte.
Apesar de existir grande e redundante polêmica sobre a definição de arte, para que ela se afirme como tal é necessário que esteja cercada de alguma aura. Do toque mágico que nos faz parar , observar e reagir frente ao que é expressado e pela forma que o faz.
Arte tem magia e reverência. Maestria. Da mais singela, pura e primitiva até a mais sofisticada.
Possui estilo, coerência, sequência e voz que excede o comum.
Quando nos deparamos apenas com um recado destinado a direcionar corações e mentes em diferentes doutrinas filosóficas, políticas e religiosas estamos falando de Ciências Sociais, Políticas ou Teologias.
Muitas vezes estes ramos do conhecimento humano se apropriam de um instrumento artístico para serem ouvidos. Algumas vezes fazendo arte  e outras negando arte.
A Não Arte é exatamente o que diz: Uso da linguagem artística, desprovida de valor artístico.
E aí entramos em outro conflito da modernidade: Valor da arte.
Possivelmente estes conceitos nunca alcançarão um consenso entre os gregos e troianos, estendidos por mais alguns séculos, com artistas, críticos e apreciadores muito preocupados em modernizar paradigmas,  negando os anteriores.
Talvez neste ciclo infindo voltemos ao encontro dos grandes mestres, do classicismo de proporções áureas, ao número de ouro da arte.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

História da Arte - Pintura Rupreste


Bisão na Caverna de Altamira

Na Pré-História, Período Paleolítico,  humanos expressavam seu cotidiano através de imagens inseridas nas paredes de rochas, tetos de cavernas e abrigos rochosos.
Apesar das controvérsias, existe um consenso de que tais imagens representavam cenas de caça, de convivência grupal e de sentimentos religiosos.
O termo vem de rupes significando rochas. Rupestre consequentemente é a arte de imprimir representações de ideias nas superfícies das rochas e cavernas. Caracteriza os sinais da presença e da atividade de povos antigos ou pré-históricos.
Talvez  uma espécie de escrita pré-histórica surgida da necessidade de comunicação entre um povo e outro. Portanto, os desenhos seriam mensagens entendidas pelas pessoas destes períodos.
Alguns historiadores compreendem que estes desenhos são símbolos religiosos criados para representar o pensamento transcendente, retratando uma visão particular do mundo, de acordo com seus costumes, onde tudo estava integrado pela crença nas forças sagradas da natureza.
Comumente  povos pré-históricos reverenciavam o sol, a lua, as estrelas, a água, o vento e outros elementos e fenômenos naturais, como representantes de um deus criador ou  deuses secundários.
Circunferências podem ser interpretadas  como a personificação do deus sol e da deusa lua.
Grafismos seriam animais e os desenhos geométricos poderiam significar seres sobrenaturais.Lagartos seriam os deuses da terra,  aves as divindades do ar e da chuva.
Este conjunto interpretativo poderia  estabelecer uma relação entre a arte rupestre e o nascimento da religião. Ou seriam apenas repetições de cenas, objetos e seres do seu cotidiano.
Tal arte, que alguns chamam apenas de registros rupestres, está dividida em dois grupos:

- Pintura Rupreste quando havia o uso de pigmentos.


 Pinturas rupestres no Parque Nacional da Serra da Capivara, Brasil

-  Gravura rupestre quando as imagens eram feitas através de incisões na rocha



 Gravura rupestre com cena de luta entre guerreiros da Idade do Ferro, em Val Camonica, Itália.

 Os sítios pré-históricos mais estudados estão na Europa, embora existam muitas localidades também no Norte mediterrâneo da África, Austrália, Sibéria e Américas.

 Portugal - Vale do rio Côa, Vale do Tejo, gruta do Escoural, Oliveira de Frades,

 Brasil - Parque Nacional da Serra da Capivara, Parque Nacional do Catimbau, Lajedos de Corumbá, a Lapa do Boquete, a Lapa do Caboclo, Varzelândia e Lagoa Santa, Campeche e Corais, Seridó e chapada do Apodi, Lajedo de Soledade.

 Itália - Arte rupestre de Val Camonica

 Líbia - Tadrart Acacus

 Arábia Saudita - Ha’il

 Espanha - Caverna de Altamira Argentina - Pinturas na Cueva de las Manos.

 Índia- Abrigos na Rocha de Bhimbetka

 França - Grutas decoradas do vale do Vézère, Lascaux, Les Combarelles e Font de Gaume La Marche, Caverna de Chauvet, perto de Vallon-Pont-d'Arc, Caverna de Cosquer, perto de Marselha, Caverna de Pech Merle, Caverna de Les Trois-Frères

 Inglaterra - Creswell Crags

AULA HISTÒRIA DA ARTE: Tópico 5 , 27 de abril de 2020 - Arte Rupreste

Este assunto foi abordado na disciplina História da Arte I - Professora Claudia Priori

Três documentos  foram fornecidos .: Dois textos,(reportagem virtual, texto em PDF )e um vídeo-aula

ARTIGO

Arqueólogos descobrem no Vale do Côa uma das maiores figuras rupestres do mundo 

VÍDEO AULA



Resposta enviada ao Forum:

Na Pré-História, Período Paleolítico,  humanos expressavam seu cotidiano através de imagens inseridas nas paredes de rochas, tetos de cavernas e abrigos rochosos.
Apesar das controvérsias, existe um consenso de que tais imagens representavam cenas de caça, de convivência grupal e de sentimentos religiosos.
O termo vem de rupes significando rochas. Rupestre consequentemente é a arte de imprimir representações de ideias nas superfícies das rochas e cavernas. Caracteriza os sinais da presença e da atividade de povos antigos ou pré-históricos.
Talvez  uma espécie de escrita pré-histórica surgida da necessidade de comunicação entre um povo e outro. Portanto, os desenhos seriam mensagens entendidas pelas pessoas destes períodos.
Alguns historiadores compreendem que estes desenhos são símbolos religiosos criados para representar o pensamento transcendente, retratando uma visão particular do mundo, de acordo com seus costumes, onde tudo estava integrado pela crença nas forças sagradas da natureza.
Comumente  povos pré-históricos reverenciavam o sol, a lua, as estrelas, a água, o vento e outros elementos e fenômenos naturais, como representantes de um deus criador ou  deuses secundários.
Circunferências podem ser interpretadas  como a personificação do deus sol e da deusa lua.
Grafismos seriam animais e os desenhos geométricos poderiam significar seres sobrenaturais.Lagartos seriam os deuses da terra,  aves as divindades do ar e da chuva.
Este conjunto interpretativo poderia  estabelecer uma relação entre a arte rupestre e o nascimento da religião. Ou seriam apenas repetições de cenas, objetos e seres do seu cotidiano.
Elisabetb C M Castro - BCas

sábado, 2 de maio de 2020

Historia da Arte I



História do homem fascina, da arte produzida pelo homem muito mais.
A disciplina inicia navegando nos conceitos sobre arte.
Professora: Claudia Priori

Atividade I - 16 de março de 2020

O que significa Arte?

Diversidade nas variadas expressões quando esbarramos no conceito de que "artes são irmãs umas das outras" e assim se completam. Algumas pessoas sentem um aroma que associam com sons, formas ou cores e este conjunto adquire peculiaridades que o transforma em arte.  
Talvez signifique o que nos sensibiliza e que  instintivamente relacionamos  com a percepção do belo. É da nossa espécie, e de outras também, esta fascinação pelo equilíbrio, pela simetria, e harmonia. Então arte pode ser beleza. 
Revela o interior dos indivíduos e se transforma numa assinatura que os identifica. Pode ser a expressão genial da esquizofrenia ou a contida repetição de conceitos já estabelecidos. 
Podemos banalizá-la ou repudiar quando recebe rótulos. Artesãos que o digam. 
Arte é infinidade e finitude. 
É a complexidade de expressão  de um  indivíduo quando sensibiliza outros. Quando transmite ou provoca emoções. 
Pode ser vista como terapêutica. As vezes angustia quando pressentimos o caos detrás dos seus contornos. 
Pode ser boa ou má. Feliz ou triste. 
É quase um ser vivente em liberdade.


Atividade II - 23 de março de 2020

Continue lendo o texto de Jorge Coli "O que é arte" (em PDF na atividade anterior), da página 12 a 22.
Observe também a imagem (em anexo) - a obra de Andy Warhol - " Brillo Boxes ou Caixa Brillo" (1964) (Cubos de madeira pintados com técnicas de serigrafia, fazendo deles imitações bastante exatas das verdadeiras caixas de sabão e esponjas de aço Brillo, comuns nas prateleiras dos supermercados americanos nos anos 1960), e responda à seguinte questão

“O que faz com que dois objetos indiscerníveis do ponto de vista material e ótico possam, no entanto, ser diferentes? Um ser arte e o outro não?”



Resposta

Este limiar deriva da flutuação de critérios que o homem estabelece na compreensão da arte, atendo-se ao momento de evolução da sociedade onde está inserido. Naturalmente arte reflete o indivíduo que a produz, tanto quanto aquele que é alvo. 
Faz-se arte para si e para o outro. 
Considerando que o homem é um ser social, parte da sua visão é determinada por hábitos e conhecimento da época que vive, da sua compreensão desta vida e da humanidade a qual pertence. Isto confere certa volubilidade para definir o que é aceitável ou não dentro do conceito de arte. Ele não é absoluto porque o homem é instável e a priori vê na arte um meio para espelhar esta mutabilidade pessoal e social. 
Desta forma arte que seria objetivo passa a ser meio ou instrumento, levando a incoerências interpretativas vinculadas à um lapso de tempo. 
A realidade humana enfastia e o homem procura na arte uma resposta para suas indagações existenciais ou tédio. 
Quando esgota um recurso parte para outro ignorando o anterior o que provoca evolução revolucionária e também decadência. 
Os parâmetros podem nos levar ao sublime e ao grotesco. E, se hoje o preto é chiquérrimo, amanhã branco pode ser o novo preto. 

O que leva a ver ou não arte num objeto? A instabilidade humana e a fuga. Alguém disse: -"Arte existe porque a realidade não basta". Enquanto válvula de escape, arte pode percorrer caminhos inesperados e inexplicáveis.

Atividade III 30 de março de 2020


No capítulo " A Frequentação" (p. 115 a 129), do Livro "O que é arte" de Jorge Coli, o autor faz uma discussão de como os instrumentos culturais de um povo, de uma sociedade, influenciam a apreciação da arte, ou dos objetos artísticos, e como esses instrumentos implicam naquilo que "nós" entendemos por arte, o que pode ser diferente para o que outra cultura entende.
Portanto, para melhor compreensão do assunto, leia este capítulo "A Frequentação" (livro em PDF).
Assista o vídeo "Depoimento" da poeta portuguesa Matilde Campilho. E em seguida, observe a obra "Number 32" (de 195) do artista Jackson Pollock e descreva o que você sente ao observar, apreciar esta obra.



Vídeo : Matilde Campilho

Resposta:

Apreciação, ou frequentação, como refere o autor é uma atividade complexa, se considerarmos todas as interações que provocaram a criação de uma arte e as reações de quem aprecia.: Domínio de técnicas, conhecimento do assunto em si, quantidade de conceitos artísticos absorvidos no decorrer da vida, sensibilidade a determinadas formas cores e temas, subjetividade, elementos culturais...todos são fatores que interferem no nosso discernimento sobre o valor intrínseco de uma expressão artística. Naturalmente ela pode ser enriquecida pelo espectador que transfere para a obra sua própria carga emocional e intelectual. Muitas vezes nem cogitada pelo autor. Dentro deste aspecto o valor da arte e sua definição está embutido em um momento cultural, ou mesmo numa realidade física.

Entretanto a arte tem esta característica inerente e sensorial. Atinge -nos na sensibilidade primária, que provoca reação imediata de gostar ou não, valorizar ou não dependendo do que que somos como pessoas, resultantes desta complexa formulação que é genoma, educação, meio ambiente, condições de vida.

Observando "Number 32" (de 195) do artista Jackson Pollock não senti o deslumbramento visceral da menininha retratada no vídeo. Pareceu-me uma composição intrigante. Certamente impacta, e observando com mais vagar percebe-se a sensação de movimentos. Desencontrados, onde cada um tem singularidade, graça e identidade própria. Não tenho ideia do que o artista quis transmitir, se o quis, se foi apenas uma explosão emocional "ala prima" ou uma tela pensada, planejada. 
Não lembro de ter visto a tela em outro momento. 
Acredito que seja um recurso artístico visual que traduz muito bem a caótica Babel que vivenciamos, sem necessidade de palavras. O que comprova a tese de Jorge Coli sobre interação e enriquecimento da obra quando observada em diferentes momentos. Parece-me assim agora. 
Provavelmente em outra circunstância verei mais, ou menos, do que vejo agora.