terça-feira, 22 de setembro de 2020

Macro Fotografia

 


Curiosa com o termo fui procurar seu significado e descobri que, sem pretensões, quase fiz algo  próximo ao estilo e que gosto muito disto. Intimista, revela linhas, cores e texturas inesperadas.









Fotografia - Triângulo de Exposição

 


 Boas ferramentas de trabalho a disposição é muito bom. Saber usá-las é uma necessidade.

"A Canon EOS 500D (também chamada de Rebel T1i) é uma câmera fotográfica DSLR lançada em março de 2009 pela Canon"

De uso fácil para quem não tem conhecimentos técnicos, permite fotos muito boas apenas usando as configurações automáticas. Porém creio que oferece mais se  conhecendo os princípios básicos de utilização das câmeras fotográficas, particularmente as digitais.

LUZ

No que se refere a luz existem três reguladores importantes: ISO, Diafragma e Obturador. 

Estes três são comumente referidos como o "triângulo de exposição", e são os três fatores que levam a um equilíbrio de uma imagem bem exposta

ISO - International Organization for Standardization.

Na fotografia analógica  a classificação significa velocidade do filme.Quanto mais sensível o filme menos luz necessária.

Na fotografia digital, o ISO mede a sensibilidade  à luz do sensor de imagem. É o nível de sensibilidade do dispositivo fotográfico.

Quanto menor o número, menor é a sensibilidade do sensor e, por isso, será necessária quantidade maior de luz para a foto. Nas câmeras digitais a configuração ISO pode ser alterada de imagem para imagem. Existe o ajuste automático do ISO.

Dependendo do uso pode ocorrer pixelização ou granulação no filme, sendo que esta pode ser um efeito desejável.Aumentar os valores de ISO faz com que apareçam pixels falsos brancos ou coloridos ( ruído de cor ou de brilho). ISO  alto diminui a capacidade da câmera de capturar muitas cores, variedades de tons, e preto ou branco absolutos.

* Cada ponto de luz aumentado é um ponto de ISO diminuído.

*Quando se fotografa com luz do dia , geralmente o ISO  requerido é 100 ou 200. Se a quantidade de luz diminui  para continuar no ISO 100 devemos  abrir o diafragma e aumentar o tempo de exposição, o que pode levar a imagens borradas (movimentação da câmera)geralmente se usa tripé para evitar o tremor.

* A velocidade do obturador é afetada  quando se altera a configuração do ISO. Se mudarmos de 100 para 200  o tempo de exposição pode ser reduzido para a metade. Por exemplo: se antes era necessário 1/125, passa a ser necessário 1/250.

* Em dias nublados ou a noite podemos usar  ISO entre 400 e 800.Salas muito escuras, ou fechadas, ou onde não é possível usar flash(museus e teatros)  devemos usar ISO 800.

 


 DIAFRAGMA - Íris da câmera 

É uma abertura que regula a quantidade de luz que entra na câmera e vai até o sensor.. O diafragma na fotografia é o diâmetro da abertura das lentes. Esse diâmetro é um dos fatores que define a quantidade de luz que entrará na câmera, até o sensor. Quanto maior for a abertura, mais luminosa é a objetiva (mais apta para locais com pouca luz). 


 Os diferentes graus de abertura do diafragma  são nominados por números ( f ) que podem variar de 1 a 40, dependendo da lente utilizada. Quando está na abertura máxima, grande quantidade de luz, este número é 1. O número baixo reflete uma alta abertura e o numero alto indica baixa abertura.

Cada vez que diminuímos um ponto na abertura do diafragma estamos diminuindo a metade da luz que entra . Por exemplo se estamos fotografando com abertura f/4 e diminuímos 1 ponto teremos que fotografar com  f/5,6 que significa a metade da luz anterior.


Profundidade de Campo

 Profundidade de campo  (depth of field ou DOF ) é a relação entre o objeto focado de  de uma imagem e o que está ao seu redor. Se tudo ou quase tudo está em foco existe grande profundidade de campo. Se apenas uma parte da fotografia estiver nítida, em contraste com o resto de imagem  fora de foco (borrada) existe pouca profundidade de campo.

*A abertura do diafragma tem relação direta com a profundidade de campo, o que estará focado ou desfocado na imagem . Quanto maior a abertura menor a profundidade de campo e vice versa. Assim quanto menor o /f, menor a profundidade de campo. Da mesma forma, quanto maior o /f, maior a sua profundidade de campo. Por exemplo, usar uma configuração de f / 2.8 produzirá uma profundidade de campo muito rasa, enquanto f / 11 produzirá uma imagem mais profunda.

Quanto mais próximo o objeto estiver da câmera menor será a profundidade de campo. Afastar-se do objeto aumenta esta profundidade. 

 Ao regular  a profundidade de campo através da abertura do diafragma , deve-se considerar a velocidade do obturador. Ao  diminuir o tamanho da abertura devemos diminuir a velocidade do obturador o que pode resultar numa imagem embaçada.

* Distância focal  refere a capacidade de uma lente de ampliar a imagem de um objeto distante. Quanto mais definida estiver a distância focal menor será a profundidade de campo.No modo automático para retratos  a profundidade de campo será estreita. No modo paisagem será mais profunda.

*Foco é o ajuste das lentes, que estão dentro da objetiva, para a distância do objeto a ser fotografado e a câmera.

* Fotômetro mostra  se a foto a ser captada está com a exposição necessária. Quando "zeramos o fotômetro significa que chegamos a exposição ideal para o objeto ser fotografado. Fotômetro da câmera capta  a luz refletida dos objetos.  Fotômetro de mão capta a luz que incide sobre o objeto , ou no ambiente.

 * Efeito Bokeh - Do japonês boh-ke, significa borrão.São as áreas fora de foco da imagem, além da profundidade de campo. São formas de círculo ( agradáveis) provocadas pela abertura da lente. Geralmente criadas com aberturas grandes como F/2,8.

Velocidade de Obturação

 White Balance ( WB_

...em construção

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ampliação - Malha Quadriculada

 Exercício de Ampliação com Malha Quadriculada proposto em 20 de setembro, 2020, na Disciplina  FRG.

 



Vídeo


A escolha foi de uma estatueta em ângulo lateral, conforme mostra a fotografia.


* Em construção...

sábado, 19 de setembro de 2020

Tratamento de Imagem - Conceitos


Photoshop é uma caixinha de surpresas e recursos. Sabendo usar.

1. Começando pelo básico. Não existe um consenso entre fotógrafos sobre as nuances que separam os termos editar, tratar e manipular imagens. Assim fico com as definições do Prof. Marcelo Almeida.
Photoshop é uma caixinha de surpresas e recursos. Sabendo usar.

1. Começando pelo básico. Não existe um consenso entre fotógrafos sobre as nuances que separam os termos editar, tratar e manipular imagens. Assim fico com as definições do Prof. Marcelo Almeida.

Editar- Existe um sinônimo para isto que é "decupar" Significa fazer uma escolha ou separar as fotos que posteriormente serão tratadas de alguma forma

Tratar - Está na correção de determinadas características como brilho, nitidez, sombra, saturação de cor, recortes...Ajuste de cores, nivelamento da foto e corte.

Manipular - É modificar a estrutura da imagem. remover ou adicionar elementos, modificar cenários, pessoas, alterando sua proposta inicial.


2. Em seguida a escolha de tamanho e formato de arquivo a ser trabalhado

 


Raw
- É o arquivo cru.Ao contrário da imagem JPEG (Joint Photographics Experts Group) criada no processador da câmera, o arquivo RAW é um banco de dados enorme, contendo toda a informação captada pelos milhões de pixels do sensor da câmera, sem nenhuma alteração.
Isto permite aplicar na imagem todo o tratamento possível no computador, que é muito mais potente que o processador da câmera.  Os arquivos RAW também são conhecidos como “negativos digitais”, pois são como os negativos das câmeras analógicas, e um arquivo JPEG é como uma revelação pronta.
A desvantagem do arquivo RAW é que, ocupa mais espaço no computador (os arquivos podem ter 2-6x o tamanho de um arquivo JPG), e precisa ser processado antes da postagem na internet. Não é uma foto pronta, necessitando de um aplicativo de pós-produção para ser impresso ou postado. Para a internet necessitará de uma cópia em formato mais amigável, como o próprio JPEG.


Tamanho da Imagem.

No Photoshop o tamanho do arquivo da imagem pode ser trabalhado na escala do Sistema métrico ( centímetros) ou do Sistema Inglês ( polegadas).

A resolução para arquivos JPEG  pode ser 72 polegadas, mas para tratamento de imagem, (raw ou tif p.ex.) deve ser 300 polegadas. O compartilhamento na Internet deve ser em 72 DPI ( pontos por polegada) que é a menor resolução de captura digital.

*Pixel:
"Pixel é o menor elemento em um dispositivo de exibição (por exemplo, um monitor), ao qual é possível atribuir-se uma cor. De uma forma mais simples, um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que um conjunto de pixels com várias cores formam a imagem inteira. A palavra pixel (plural "pixels") é um estrangeirismo proveniente do inglês (anglicismo). É aglutinação de picture e element, ou seja, elemento de imagem, sendo pix a abreviatura em inglês para pictures. Já faz parte do léxico do português, sendo aportuguesada como píxel (plural "píxeis"). Em um monitor colorido, cada pixel é composto por um conjunto de 3 pontos: verde, vermelho e azul. Nos melhores monitores, cada um desses pontos é capaz de exibir 256 tonalidades diferentes (o equivalente a 8 bits) e combinando tonalidades dos três pontos é então possível exibir pouco mais de 16.7 milhões de cores diferentes (exatamente 16.777.216). Em resolução de 640 x 480 temos 307.200 pixels, a 800 x 600 temos 480.000 pixels, a 1024 x 768 temos 786.432 pixels e assim por diante. "

ATALHOS - Facilitam o manuseio  economizando o tempo para voltar a janela da ferramenta e alterar um procedimento.

Esta postagem exibe várias tabelas com teclas e atalhos:  Atalhos de Teclado Padrão

Control "O : Abre imagem na  tela inicial do Photshop. Dois cliques rápidos na área cinzenta também. Ou arquivos  em "file".

Control + e - : Aumentam e diminuem a imagem/arquivo.

Control Alt I: Abre o comando de tamanho da imagem. 

Control W: Fecha imagem e diretórios.

Control Q: Fecha programas

"X": Alternância.

Control Z: Voltar para a função anterior.

{ e } : Aumentar e diminuir o tamanho de ferramentas como pinceis e borrachas. 

Control U: Colorizar a imagem

"B": Habilita o pincel (brush)

"D" : Preto ou branco

"T" : Ctrl+T – “Transformação Livre” (“Free Transform”); Ctrl+Shift+T – “Transformar Novamente” (“Tranform Again”); Ctrl+Shift+K – “Configuração de Cores” (“Color Settings”); Ctrl+Alt+Shift+K – “Atalhos de Teclado” (“Keyboard Shortcuts”); 

EXERCÍCIOS COM PHOTOSHOP - LAYER

 


Fotografia de Marcelo Almeida

Exercício 1

 

Exercício 2 

 

Dessaturação de Cor.

- Selecionar uma imagem : file  => open => Abrir a imagem e criar camadas)  => layer => background copy ( clicando na camada com o lado direito do mouse podemos conferir uma cor) => duplicate layer (background copy 2)

- Desabilitar a camada copy 2  ( clicar no olho)  e dessaturar  a copy : image=> adjustments=> desaturate. Este procedimento mantém os canais de cores abertos.

Colorizar imagem dessaturada

* Control "U" ou Image => adjustments => Hue saturation  (colorizar com qualquer cor) 

* para aumentar ou diminuir a imagem : alt + scrolling do mouse ou  na lupa  + e -

- Na layer copy  clicar no  comando do retângulo branco com círculo escuro no meio para gerar a mask branca. 

- Habilitar o brush da coluna de tools a esquerda ou "b" no teclado => Regular o pincel em Size e Hardness => "d" no teclado para gerar preto e branco.

- Na coluna de tools os quadrados em branco e preto que se alternam => preto gera informação, branco devolve a informação. Com o quadrado em preto  ao passar o pincel sobre a imagem devolvemos a cor. Para retirar o efeito passa para o branco e retira a seleção com o pincel.

- Para criar novo efeito: Clicar na máscara branca (seleção cor preta) => aply => reinicia com nova mask.

TOOLS

1- Move tool (v) - move o conteúdo da camada., ou partes selecionadas.

2- Retangular Marquee Tool - cria seleções quadradas ou retangulares. Opção para seleções elipticas, cortes verticais e horizontais. Para criar quadrados ou círculos acionar a ferramenta junto com "shift".

3- Lasso tool - selecionar a mão livre.  Poligonal (retas, polígono) . Magnetic.

4- Magic Wand Tool. Seleciona área com uma mesma cor

5 - Crop tool - seleção quadrada (pode ser editada ) que recorta a imagem conservando apenas a área selecionada.

6 - Paint brush - Pincel para pintar na camada que está ativada. Vários pinceis. É possível criar um pincel

7 -  Pencil tool - Igual ao pincel , mas opaco e com dureza.

8 - Eraser Tool - borracha que apaga áreas selecionadas ou a camada. Funciona com a dureza do lápis ouu pode ser esfumaçada como o pincel.

9 - Paint bucket tool - Lata de tinta que  pinta uma camada inteira ou apenas uma parte selecionada.

10 - Gradient tool - Faz degradê de cor. Semelhante a lata de tinta,porém pra fazer o gradiente tem que arrastar o mouse a partir de uma linha.

11 - Horizontal Type tool - Escreve textos. várias opções.

12 - Pen tool - Um conjunto de ferramentas que  faz vários traçados e permite edições.

13 -Rectangle tool -  Faz retângulos que podem ser vazios ou preenchidos com cor.  tem outras opções de formas. Line tool desenha linhas e coloca-se uma seta na ponta.Custom shape tool  tem grupo de formas pré desenhadas (flores, sinais, globos)

14 - Clone Stamp - Na layer duplicada clicar sobre o elemento selecionado simultâneo com "alt" . Em seguida  com movimento de pincel estampar em outro local da imagem. Clicando sobre esta estampa selecionada  ( com tool retangular) , botão direito do mouse, acionar free tansform.

 15 - Liquify - pesquisar.

* Não esquecer ...se alguma seleção imperceptível estiver acionada  usar o control D para liberar.

"Postagem em andamento

 

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Vermelhos


Vermelho Ocre

Uma das formas mais antigas de vermelho vem de argilas como vermelho-ocre rica no mineral hematita.
Evidências arqueológicas apontam que há 15 mil anos as pessoas já moíam essa argila para pintar seus corpos.


Bisão - caverna de Altamira, Espanha.

Vermelho, branco e preto eram as cores usadas pelos artistas da Pré-História porque podiam ser obtidas da natureza.
As inscrições e pinturas das cavernas de Altamira (Espanha), datadas em 16 e 15 mil anos atrás, são alguns dos exemplos mais antigos de uso do ocre na arte
Na China houve grande destaque para o vermelho com exemplos de cerâmica preta e branca datando desde 7 mil anos atrás.
Traços de vermelho ocre foram encontrados na decoração da tumba do faraó Tutankhamon.
No Egito Antigo, o vermelho ocre era usado como cosmético e as mulheres pintavam seus lábios e bochechas com essa cor. Durante as festividades, os corpos inteiros eram pintados de vermelho.
Na cultura egípcia era associado à vida, à saúda e à vitória e muito usado na decoração de interiores.

Cinábrio ou Cinnabar


Pompeia-Vila Mistério-afresco-Século VIII

Muito tóxico, obtido do mineral cinábrio, era usado no Egito antigo. Romanos usavam o pigmento na decoração das casas como exibem alguns murais (afrescos) resgatados de Pompeia. Quase todo o cinábrio usado na Roma Antiga vinha de minas na região de Almadén, na Espanha. A extração era feita pelos escravos, capturados nas guerras e forçados a trabalhar em um ambiente altamente tóxico.

Carmim


A Noiva Judia - Rembrandt

A cor carmim e suas derivações!
Algumas cores gravitam ao redor deste matiz.
Um dos vermelhos mais intenso da paleta dos artistas do século XVIII e XIX, carmim,foi muito usado por Turner.


Coronation mantle of Roger II of Sicily (1133)

Vermelho forte, que se inclina para o roxo, é feito de corpos secos de Kermes femininos. Esses insetos cochonilhas, que se alimentam da seiva de carvalhos perenes, eram colhidos comercialmente para produzir tintas.
Carmesim feito de Kermes caiu em desuso com a introdução da laca carmim - produzida pela cochonilha. Em parte, isso se devia ao fato de que eram necessárias doze vezes a quantidade de kermes para atingir a intensidade da cor da cochonilha.
Carmesim feito de Kermes também é chamado de carmim natural para evitar confundi-lo com laca carmim.
Chegou à Europa com o retorno dos navios espanhóis que conquistavam a América. No Novo Mundo, os espanhois se depararam com um vermelho muito intenso e brilhante usado pelos astecas e logo descobriram o segredo: cochonilhas, insetos pequenos que vivem em cactos e que, assim, como os kermes, produzem uma tinta quando esmagados.


kermes

As cochonilhas ofereciam uma tintura vermelha profunda, intensa e vibrante, que dominou a moda e as artes na Espanha, Portugal e Holanda durante os séculos XVI e XVII.
Rembrand, Vermeer e Velásquez são alguns dos pintores que mais usaram esse pigmento que, aliás, precisava de cuidados redobrados ao ser utilizado: este carmim muda de cor quando exposto à luz.
Cochonilhas eram um dos principais produtos importados pela Europa no século 16, atrás apenas do ouro e da prata. Com a ascensão dos comerciantes no Renascimento, vários reinos proibiram que não-nobres utilizassem o vermelho carmim, que permaneceu como uma cor ligada à aristocracia.
Carmim alizarin, o primeiro corante vermelho sintético, surgiu após.


Viagens - BCas

Alizarin

Dos vermelhos tradicionais é o que mais se aproxima do magenta. É vermelho escuro, profundo e aveludado.
Carmim de garanza é um clássico na paleta de pintor. Dele se obtém lindos violetas e alaranjados. Quando misturado com branco origina belos rosados.
O "vermelho turco" ou alizarin tem sido usado ao longo da história como um corante vermelho proeminente, principalmente para tingir tecidos têxteis.
Evidências indicam que o pigmento da planta madder, muito estável, era usado como tintura de tecido pelos povos gregos, romanos e egípcios 1500A.C.


Alizarin crimson e Cadmium orange by Walter Foster

O vermelho obtido das raízes de garanza é um corante, não um pigmento, porém os egípcios conseguiram fixá-lo em pó inerte como giz ou gipsita para fazer o pigmento conhecido como "laca".
É uma cor transparente assim como os vermelhos luminosos de quinacridona
Em 1869, tornou-se o primeiro corante natural a ser produzido sinteticamente. William Henry Perkin descobriu uma maneira de sintetizar o pigmento alizarina, que ficou conhecido como a cor alizarina carmesim.
É resistente a luz.
Atualmente fabricantes de tinta tendem a substituí-lo pelo magenta-de quinacridona.

Rose Madder


Mermaid in madder rose

Rosa encanta. Cor quente que flutua entre o magenta e o vermelho, no ocidente significa feminilidade e amor. Reflete paz,  e sedução quando é intensa. Representa confiança em algumas culturas orientais.


Rose Madder by W&N

Enquanto Alizarina é praticamente um  magenta intenso, Rose madder é variedade mais  suave embora profunda; ambas formadas pelo pigmento proveniente das raízes da planta Rubia tinctorum.
Este pigmento foi historicamente utilizado na fabricação do magenta intenso conhecido como   alizarina carmesin, industrialmente sintetizado desde 1868.
No século XIII a ruiva-dos-tintureiros, vermelho turco,  garanza ou granza era cultivada em toda Europa, principalmente na Holanda.


Rubia tinctorum:Köhler–s Medizinal-Pflanzen

Contudo seu alto custo exigiu pesquisas, e em 1804 o pintor George Field conseguiu elaborar um processo extrativo mais eficiente. Posteriormente seus estudos foram vendidos para William Winsor um dos fundadores de Winsor & Newton, formando as receitas básicas das suas tintas.

Vermillion


Afonso I d’Este, Duque de Ferrara - Ticiano - 1530 e 1534.

Chineses foram os primeiros a produzir o vermillion ou vermelhão sintético, provavelmente por volta do século IV antes de Cristo. O pigmento, trazido para a Europa, por alquimistas árabes e também pelas Cruzadas, foi incrivelmente popular com os pintores renascentistas.
Ticiano, pintor italiano, é conhecido pelo uso incrível que fazia do vermelho em seus quadros. Originalmente, o vermelhão é um vermelho-alaranjado, mas que escurece com o tempo, tornando-se um vermelho bem escuro tendendo para o púrpura ou de marrom.
Na China, o vermillion era conhecido como “vermelho chinês”, símbolo da vida e da riqueza e usado para pintar os templos e carruagens imperiais.
Continuou como o pigmento vermelho mais popular até o século XX, quando sua ação tóxica e preço acabaram forçando os artistas a mudarem para o vermelho de cádmio. Na Idade Média, o vermillion custava tanto quanto uma folha de ouro. Era usado apenas nas partes mais importantes dos manuscritos iluminados, enquanto que as grandes áreas eram preenchidas com vermelhos à base de chumbo, mais baratos, e ainda mais tóxicos.

Zarcão ou Mínio


O Café à Noite - Van Gogh, 1888

Zarcão ou mínio, pigmento vermelho altamente tóxico descoberto e manufaturado pelos chineses, é considerado um dos primeiros pigmentos sintéticos da história, obtido através do cozimento de outra tintura ainda mais venenosa, o branco de chumbo.
Este pigmento branco  era usado como maquiagem na Roma Antiga e no século XVIII.
Quanto mais tempo fosse cozido, mais se aproximava do vermelho-alaranjada. Devido ao custo menor que o cinábrio, era muito usado nos manuscritos medievais e também na arte persa e indiana.
Tende a clarear com o tempo de exposição à luz, fazendo com que as pinturas pareçam desbotadas. Van Gogh usava muito o zarcão em suas pinturas. A palavra “miniatura” é derivada de mínio. Devido ao uso intenso desse pigmento, os monges que trabalhavam nos manuscritos medievais também eram conhecidos como miniators, “aqueles que usam mínio”.

Vermelho de Cádmio


Interior With Black Fern - Matisse, 1948


O vermelho de cádmio começou a ser comercializado em 1910 tornando-se um sucesso no século XX.
Imitando a cor do vermillion, mas com uma qualidade muito melhor e sem alteração quando exposto à luz, a nova cor conquistou pintores como Henri Matisse.
A toxicidade desse pigmento é mínima porém a União Europeia quase baniu essa tinta em 2014, até que estudos provassem que não havia riscos de contaminação das águas ou envenenamentos por causa da tinta
Matisse tentou, sem sucesso, convencer Renoir a usar vermelho cádmio. Embora fossem amigos íntimos, Renoir rapidamente voltou ao seu pigmento anterior depois de tentar.

Leitura recomendada: “Red: The History of a Color”, Michel Pastoureau



domingo, 13 de setembro de 2020

Eu e Inclusão Social



As Irmãs

Tenho muito a dizer sobre Inclusão Social de pessoas diferentes.
Na infância dei uns tapas em alguém para defender minha irmã. Na época pensava que era um dever, pois sempre tive a noção de que ela seria para sempre minha "irmã menor".
Obviamente no decorrer do tempo aprendi que a proteção deveria ser de outra forma e não estapeando meus pares.


Almoçando com a sobrinha

Vivi durante seis décadas a evolução de reações da sociedade com pessoas deficientes.
Minha irmã tem uma deficiência em relação aos demais. Ela aprende menos e muito vagarosamente e seu comportamento social é infantil.
Hoje as pessoas tendem a amenizar o vocabulário, e classificam os que assim são como "adultos especiais".
Ontem os termos eram mais agressivos ou científicos. Retardo mental, oligofrenia, deficiência mental.
Vivenciamos várias fases. Como classificam não importa, a atitude sim.


Presentinho

É muito difícil explicar para as pessoas como e quanto ela é diferente, as vezes na presença dela, ou mesmo para ela, sem causar sofrimentos.
Na infância ou juventude minha irmã ouviu muitas vezes o termo "retardada", de pessoas estranhas, de conhecidos e até de familiares idosos.
Isto deixou marcas profundas. Traumas.


Com quatro anos.

Até hoje ela chora e diz:
- As pessoas vão dizer que sou retardada. Eu não sou!
Ou
- Você vai dizer pras pessoas que eu sou retardada.

Óbvio que eu não digo.
Tenho o maior cuidado para não referir  "a condição" na frente dela.  Ou em transparecer que ela pertence a  uma" minoria". Explico que que ao nascer houve um longo tempo sem respirar, o que prejudicou a memória. Que ela esquece algumas coisas e ficou difícil aprender a ler.

Isto parece ser aceitável e ela diz:
- Eu fiquei roxa quando nasci, sem respirar. Daí não consigo aprender a ler. Não é minha culpa

Existem cicatrizes profundas e as limitações do seu cérebro dificultam a compreensão ou aceitação.

Certa vez uma senhorinha  muito bondosa e religiosa, vizinha da minha família por  cinco décadas, falou para uma amiga na nossa frente:

- Coitada desta daqui!  Tem que cuidar da irmã  que é retardada , o tempo todo.

E ela amava minha irmã. Sempre tratou muito bem no conceito antigo e ignorante de que uma pessoa com retardo mental não é capaz de perceber a própria diferença .
Isto existe em várias camadas e situações sociais. É muito cruel e deixa marcas profundas.


Arte na Avenida Paulista

Quando pequenas fomos parar no Internato e Externato Menino Jesus. Um pequeno colégio religioso que aceitava meninas do interior em regime de internato, e algumas da cidade, durante todo o dia, em externato.
Solução perfeita para mãe e avó católicas que trabalhavam o dia todo no sustento da família de quatro mulheres.
Não funcionou.
As freiras realmente eram compassivas e afetuosas. Passavam longe do estereótipo do "colégio interno" que se lê no romances. O colégio era uma extensão amorosa da nossa casa, que eu particularmente adorava.
Entretanto não estavam preparadas para receber uma criança "diferente". Que tinha convulsões, acessos de raiva, batia, chutava e mordia.


Solicitaram à minha mãe outra solução, e após a peregrinação médica surgiu a escola Tia Nilza. Atualmente Escola Nilza Tartuce.
Uma bênção!
Uma escola especial, com professores treinados que sabiam como lidar com tais peculiaridades.
Até os dezoito anos Cris ficou na "Tia Nilza".
Em classes de poucos alunos, que eram agrupados de acordo com a capacidade de aprender, de reagir aos métodos de ensino.
Ela evoluiu e aprendeu muito, embora no decorrer dos anos os profissionais da área caracterizassem sua condição como retardo leve, idade mental permanente de nove anos.



Grupo "Amigas Pintoras"

Agora tenho ao meu lado uma pessoa que extrapola muito esta condição.
O cérebro da minha irmã não tem nove anos. Abriga diversos níveis de entendimento e diversas idades. Com limites. As vezes tem nove, noutras  quatro ou seis, plana pela  adolescência.
Existe uma fronteira invisível entre estes universos infantis e o "mundo adulto" que ela não consegue ultrapassar. A lesão nos neurônios e as áreas cerebrais prejudicadas não permitem.
É definitivo e irreversível para nossa ciência.


Aos dezoito foi transferida para a Escola Mercedes Stresser.
Desastroso! As classes eram maiores, ela não conseguia se adaptar, chorava muito, regrediu no comportamento e minha mãe optou pelo ensino particular. Contratou uma professora particular da "Escola Tia Nilza".
Entretanto isto tinha um custo muito elevado. Na escola ela recebia suporte do governo, em casa não. O ensino formal da minha irmã encerrou por volta de 20 anos por dificuldades econômicas.


Em Paquetá - RJ

Cris se identifica naturalmente com crianças e jovens, procura e se vê pertencente a estes grupos. Tolera a companhia da terceira idade, faz negação veemente da velhice, e sente falta de "amiguinhas".
Contudo a vida está longe de ser perfeita.
Minha irmã nunca será independente e sempre terá que conviver com  frustrações.
Sofrerá se for colocada num grande grupo, sozinha, e ficar a mercê das diversas visões que existem na sociedade, sobre pessoas diferentes.
Inclusão não progride quando forçada.
Ela ocorre na medida que as pessoas entendem a sensibilidade dos "especiais". Quanta tristeza a rejeição ocasiona para quem não tem condições de racionalizar preconceitos.
Um "adulto especial" é uma minoria diferente.
A revelia de outros grupos discriminados (étnicos, religiosos, homossexuais, com deficiências físicas...) este não consegue racionalizar e superar os traumas da discriminação.
Um negro, por exemplo, pode entender o que é preconceito, suas origens, a ignorância, superar raivas ou traumas. Consegue construir seu espaço por iniciativa própria. O doente neurológico não.


No jardim

Nosso Sistema Educacional não tem, e se vê extremamente longe de ter, suporte adequado nas escolas, para incluir estas crianças.
É cruel permitir que sejam cobaias neste processo em construção, para atender uma demanda teórica.
Inclusão ainda não existe na prática da sociedade humana, ignorante, mal informada.
É necessário que crianças sejam educadas para incluir, que adultos modifiquem visões, porém nossos "especiais" não podem ser o instrumento destas tentativas.
São pessoas cujas feridas se revelam profundas com cicatrizes irreversíveis.


Confraternização de "Amigas Pintoras"

Porém existem caminhos.
Se não é viável jogar os "especiais" no meio dito normal, podemos tratá-los com a dignidade que merecem, em espaços adequados, mostrando que lhes é possível fazer praticamente tudo.
Um exemplo muito lindo disto é a Companhia de dança Guerreiros.
Fisioterapeutas, professores, esportistas e pais se empenham para ensinar através da dança. E todo ano levam ao palco uma peça musical com este grupo heterogêneo mostrando que todos podem ser artistas.
Outro exemplo são os pequenos grupos de arte, ou artesanato, propiciados pelo estado e iniciativa particular.


Primeira aula de Pintura

Com ressalvas.
No inicio da prática de pintura ela entrou num grupo onde minha participação não era permitida. Foi uma experiência ruim. Não houve o empenho necessário do grupo e do orientador para que ela fosse incluída. Ficou a margem, num canto e não quis mais voltar.


Amigas Pintoras - Rua da Cidadania

Por outro lado, quando entramos no grupo de pintura da rua da Cidadania a inclusão se deu de maneira natural e progressiva.
Arte é um caminho com muitas possibilidades a serem exploradas, onde todos podem se encontrar sem fronteiras.


Grupo de Pintura - Rua da Cidadania

Mesmo no mundo da arte as sensibilidades em relação ao outro são muito diferentes. Existem as pessoas que toleram, compreendem, aceitam e outras nem tanto.



Oficina de Gravura - MASP

Entretanto, de maneira geral os professores artistas me parecem um caminho profícuo para estabelecermos a verdadeira Inclusão Social.